14 de jan. de 2009

As palavras e as coisas no El Mundo

Bem, não dá pra ter tudo mesmo. Essa é uma das primeiras lições que jornalistas aprendemos quando passamos à Academia. A segunda, é preciso entender as práticas nas redações digitais para depois criticar (construtivamente, claro).

Assim, começa uma percepção (mais sitematizada) do novo redesenho do El Mundo. Elogiado diversas vezes desde que foi ao ar no último domingo com agressiva campanha de marketing voltada para as multiplataformas de distribuição, parte-se agora um olhar mais atento.

Vamos lá:


Os botões para avançar as fotos dinâmicas na capa. Um dos raros exemplos em que o ícone não precisa de legendas. Quem não sabe que o sinal de + significa mais? Outro botão interessante é o que avisa em qual foto o usuário está. Afinal usuários não precisamos de números (1,2,3,4,5) para acompanhar imagens nos portais.


Cheguei a postar no domingo, quando foi anunciado o El Mundo repaginado que usuários estávamos livres do click to play. Não foi bem assim. Há vídeos no jornal espanhol que ainda nos pedem para clicar no botão play. Não precisa, sabemos que o ícone significa play. Tem no controle remoto.


Excelente resolução para os serviços interativos e, sobretudo, os de share. Mas ainda me pergunto qual o critério de seleção desses botões? Popularidade? Qualidade? Tecnologia?

Precisa repetir à exaustão a palavra Titulares? Não há outra maneira de destacar essas secciones?

A pensar,

LM

13 de jan. de 2009

Twitter para informar


Interessante o resultado da pesquisa feita por Raquel Recuero e postada no Jornalistas da Web sobre informação e credibilidade no Twitter. Raquel é dona do blog Social Media e está revisando 0 livro Redes sociais na Internet. Começa a se desenhar uma função para essa rede social, sobretudo no Brasil:

"(...) no Brasil, parece ter uma apropriação mais focada na informação. Ou seja, por aqui, o Twitter ganhou destaque e usuários pelo seu papel na construção e difusão das informações. Em uma recente pesquisa (2) com cerca de mil usuários brasileiros, descobrimos, por exemplo, que mais de 75% deles consideram o Twitter uma fonte de informações e 73% utilizam seu Twitter para divulgar informações que consideram relevantes. Mas apenas 39% afirmam utilizar o Twitter para fins de conversação. Isso não significa, no entanto, que o uso do Twitter é exclusivamente para notícias, mas sobretudo, que para as redes sociais que o utilizam, a informação é um valor muito relevante."


A pensar,

LM

12 de jan. de 2009

O papel do jornalista

Há quem diga que o jornalista verá suas funções desaparecem por causa da suposição de que as notícias não serão mais impressas em rotativas e pelo fator econômico. Tal afirmação ignora as discusssões atuais sobre o capitalismo cognitivo e trabalho imaterial. O que está em jogo é entender qual é a função de cada suporte em um espaço dominado por tecnologia de ponta, pautado pela justaposição entre virtual e real.

Com as novas possibilidades, um único dispositivo reunirá conteúdo de rádio, tevê, papel, internet e mídias móveis. Não se sabe por qual nome será chamado. Mas há uma certeza, a distribuição e produção multiplataformas: o celular enviará foto para a tevê, no rádio digital do carro tocam músicas baixadas pela internet; também pela rede, envia-e informação empacotada de todo tipo a qualquer dispositivo.

Isso prova que jornalistas serão necessários quando o assunto for conteúdo. Não importa em qual dispositivo. Claro que a existência do jornalista não suprime a colaboração do leitor na produção informativa. Mas a profissão exige técnica que só a formação de Jornalismo pode cumprir - com ou sem diploma.

Jeff Jarvis, no Buzz Machine, não acredita no fim da profissão, mas na ampliação do campo. "I don’t think they’ll be gone. Typesetters are gone. Darkroom technicians are gone. But now journalism can grow. More people can do it now. No factory needed", escreve no post Who suffers first in the death of the press.

O professor e diretor do programa de jornalismo interativo da Graduate School of Journalism arrisca uma previsão:

"(...) I believe, as I said here, that many slices will make up a new pie: more focused news companies contributing journalism and curation and other value; successful specialist bloggers growing large businesses (Gawker Media, TechCrunch, Silicon Alley Insider); smaller bloggers that are big enough to make them worthwhile to make (BaristaNet); volunteer bloggers and contributors who add to the pie because they care and share; public-supported journalistic activity (Spot.us, ProPublica); crowd-created efforts, and on and on. Note, though, the verb that started that long sentence: 'believe.' I don’t know yet. None of us does until we try and learn and share best practices. (That [plug] is why we’ve started the New Business Models for News Project at CUNY and that will be its work.)

But I am confident that journalism as an activity will not disappear, that there will be a market demand for it, that there are many new ways to fulfill the task (and debate about how it is done). But - bottom line - journalism and journalists will not disappear unless they insist on defining themselves as an industry that operates in just one way, still making things (no longer bigger than beer). The key to survival is reinventing what we do. "

A pensar,

LM

11 de jan. de 2009

Making of de um redesenho


Bom começo: o botão de play é um botão de play, sem chamadas como "clique para assistir ao vídeo". Só essa entrada já vale a mudança do El Mundo. Isso significa que usuários não seremos mais tratados como ignorantes tecnológicos. Alguém deve ter lembrado do controle remoto! Gracias!

A pensar,

LM

9 de jan. de 2009

El Mundo investe em multiplataformas


O El Mundo anuncia distribuição de conteúdo multiplataforma. Sob o slogan "Estés donde estés y vayas donde vayas siempre estaré allí contigo", a campanha de reformulação do jornal foi ao ar na terça-feira em toda a Espanha para mostrar aos leitores que não é preciso sair do universo do jornal para entender o que se passa no mundo, que o uso de todos os seus suportes tem a função de complementar a informação, explica o diretor de publicidade Christian Noguera.

No próximo domingo, o jornal distribui informações a partir de várias plataformas. "Con elmundo.es te enteras de lo que pasa antes que nadie, con el teléfono móvil las noticias te buscan a ti estés donde estés y el periódico te explica toda esa información para que puedas formarte una opinión", explica Noguera.
LM


8 de jan. de 2009

Multimídia 2008


Regina McCombs, do Poynter Institute, listou os melhores projetos multimídia de 2008. Destaque para New York Times e Washington Post.

http://www.nytimes.com/packages/html/politics/2008-election-overview/
http://voices.washingtonpost.com/hard-times/
http://www.msnbc.msn.com/id/23781733
http://spokesmanreview.com/stormstories/
http://data.desmoinesregister.com/parkersburg/parkersburg.php
http://www.philly.com/inquirer/special/30621649.html
http://blogs.roanoke.com/ageofuncertainty/
http://www.theglobeandmail.com/talkingtothetaliban
http://www.freep.com/section/SPECIAL0101
http://www.portfolio.com/news-markets/multimedia/interactive-features/
http://www.madison.com/wsj/media/archive/interactive.html
http://www.portfolio.com/interactive-features/2008/12/newsquiz_1212
http://www.boston.com/sports/baseball/redsox/extras/manny_500_homeruns/
http://www.indystar.com/apps/pbcs.dll/section?Category=SPORTS0301
http://dsc.discovery.com/tv/human-body/human-body.html
http://dsc.discovery.com/tv/time-warp/video/interactive/interactive.html
http://minnesota.publicradio.org/projects/2008/05/budget_hero/
http://minnesota.publicradio.org/features/2008/11/19_challenged_ballots/
http://www.ted.com/index.php/pages/view/id/5
http://www.xdrtb.org/
http://www.cfr.org/publication/17088/crisis_guide.html
http://mediastorm.org/
http://www.aarpmagazine.org/people/1968/player.html
http://www.good.is/sections/video/video.php?tname=america-love-it-or-fix-it#/
http://www.usatoday.com/news/politics/election2008/candidate-match-game.htm

LM

7 de jan. de 2009

Hybrid visual language

(...) This language is not confined to particular media forms. And while today it manifests itself most clearly in non-narrative forms, it is also often present in narrative and figurative sequences and films.

(...) the juxtaposition of different media is clearly visible (video for “Don’t Panic” by Coldplay, 2001; main title for the television show The Inside by Imaginary Forces, 2005). In other cases, a sequence may move between different media so quickly that the shifts are barely noticeable (GMC Denali “Holes” commercial by Imaginary Forces, 2005). Yet in other cases, a commercial or a movie title may feature continuous action shot on video or film, with the image periodically changing from a more natural to a highly stylized look.

Such media hybridity does not necessary manifest itself in a collage-like aesthetics that foregrounds the juxtaposition of different media and different media techniques.

(MANOVICH: 2008, p. 115-116)

A pensar,

LM

Projeto Átomo

Terra muda design do portal, com a proposta de "ser uma tendência" e apresentar um novo conceito de "navegação muito mais participativa". Intitulado Projeto Átomo, promete "revolucionar na maneira de acessar os conteúdos online profissionais e amadores mais relevantes em plataformas múltiplas."

O texto destacado no site indica que a mudança inclui "conteúdos inovadores integrados a ferramentas sociais de terceira geração". E vai além: "todas as páginas oferecem, além dos conteúdos destacados pelos editores, as reportagens, fotografias e vídeos mais vistos pelos internautas."

meu comentário: até agora (22h24), a mudança se restringe à capa, as páginas internas continuam com o mesmo desenho, e a estrutura da página tem semelhança ao UOL e G1.

A pensar,

LM