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18 de mar. de 2009

Virando a página


Mais um exemplo de que nossa área - jornalismo digital - opera por metáforas*. Desta vez, no El Pais. Por falta de vocabulário conceitual, navega-se em browsers com ícones de casinhas chamados homepages e por botões com setas que direcionam para frente e para trás.

O ciberespaço é um não-lugar, ainda que tenha sido territorializado. Portanto, não responde à lógica da tridimensionalidade espacial ter aquelas indicações de direita ou esquerda, por exemplo.

O movimento na rede se faz dentro de uma experiência nomádica, pelo fluxo, por isso, não há um local. Trata-se de uma experiência, e não existe essa idéia de página na web. Pode ser tudo, menos pagina.

Isso acontece por não haver crítica e pela necessidade da reprodutibilidade das grandes corporações de mídia para convencer que nada (na web) mudou.

Na realidade, tudo mudou... Precisa explicar o quê?

A pensar,

LM

*Extrato de aula da disciplina Processos de criação e produção do conhecimento em hipermídia e em redes fixas e móveis: pressupostos críticos e criativos no Design de Interfaces, de Giselle Beiguelman, na Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC/SP.

2 de jan. de 2009

Next for news design?


A SND convidou designers, jornalistas, professores, consultores e editores para postar previsões sobre a mídia neste ano. Destaco os principais pontos:

- equipes menores e aumento da competitividade
- jornais investem pesado em novos formatos de anúncios
- o celular ganha importância na produção jornalística integrada
- aumento de conteúdo distribuído por plataformas móveis
- destaque para a criação de narrativas por meio de base de dados visuais
- fim do uso de câmera de vídeo e a consolidação de DSLR (digital single lens reflex) no fotojornalismo
- amplifica-se a importância dos filtros de notícias, e os jornais compreendem que o conteúdo deve ser publicado na web, em primeiro lugar, mesmo que isso resulte em menos venda de papel - 2009 é o ano de reinventar o design de notícias na rede
- atrair leitores para conteúdo interessante e credível
- desenvolver modelo de negócio mais rentável
- influência da web no design de jornais impressos
- parceria entre empresas de software e telefonia para criar novas plataformas de leitura, audição e visualização de informação
- fragmentação de conteúdo: apresentação de impresso e on-line tem apenas texto ou imagem - infográfico, fotografia ou vídeo
- anos dourados da revista Life estão de volta: reinventar ou descobrir gêneros visuais em vídeo, perfis, entrevistas e resumo de notícias
- redes sociais são indispensáveis na produção de conteúdo

A pensar,

LM

16 de jun. de 2008

Geléia geral

Ainda com Marques Melo, também no podcast.

Gêneros Jornalísticos - Classificar é teorizar?
José Marques de Melo - Classificar significa reconhecer o conhecimento bruto. O que é teoria? Teoria é o refinamento da prática. Observa-se empiricamente como se dão os fenômenos sociais e a partir dessa observação, vai formulando modelos paradigmas. Estou entre o Bourdieu [Pierre Boudieu] e o Khun [Thomas Khun]. As classificações são uma espécie de cartografia, reconhecimento do terreno. Sinceramente, você não pode teorizar, teorização vem depois. Classificação é importante do ponto de vista do aprendizado, da transmissão da experiência.

GJ - Trata-se de um primeiro passo para teorizar?
Melo - Tem classificação do passado que já foi teorizada, mudanças que vão incorporando o novo.

GJ - Classificar é um critério para o mercado?
Melo - Sem dúvida. O que governa o mercado é a classificação. Não é explícita. Nos manuais de redação, não se encontra essa especificação de gêneros. Pegue o Manual da Folha de S.Paulo, quase não aparecem os gêneros ali. Mas se vai observar como a redação funciona, o gênero está implícito.

GJ - Não há consenso sobre as classificações.
Melo - Precisamos avançar nisso, para ter bom senso entre os pesquisadores. Enquanto não classifica e não conceitua direitinho, fica naquela geléia geral. Esse é um problema seríssimo.

GJ - Primeiro vem a taxonomia, depois a conceituação? Ou estão juntas?
Melo - Eu acho que estão juntos. É aquela história. Quem vem primeiro, o ovo ou a galinha. O que eu percebo hoje é uma resistência de classificar, conceituar. Quando coloca as estruturas as pessoas se sentem sufocadas.

LM

3 de jun. de 2008

Atualizando conceitos 2

Em contraste com a narrativa moderna, em que ouvinte, leitor ou telespectador acompanham a narração (ouvindo, lendo, vendo) sem interferir na lógica interna das ações, motivada pela psicologia dos personagens – seja ficcionalou jornalística - o fluxo da narrativa no ciberespaço mais que incorporar depende da intervenção do tele-ator.

Na narrativa moderna, ouvir, ler e ver são ações desconectadas do fluxo da narrativa. Quando acessa um espaço navegávelde uma publicação jornalística no ciberespaço, por exemplo, um tele-ator,ao eleger como território de exploração um dos muitos módulos disponíveise optar por uma, entre as várias linearidades propostas, desenvolve uma açãoque interfere no curso da narrativa, que deixa de ser único como na narrativajornalística convencional.

O caráter interativo da narrativa no ciberespaço transforma os deslocamentos pelo espaço navegável como um instrumento central da observação,e xploração, narração e, em última instância, da composição da narrativa propriamente dita.

Como permanece atrelada às formas narrativas dos meios convencionais, a narrativa jornalística no ciberespaço pouco emprega o espaço navegável formatado sobre bancos de dados como interface padrão.

MACHADO, Elias. A Base de Dados como espaço de composição multimídia. In: Jornalismo Digital de Terceira Geração, Portugal, 2007. Disponível em: http://www.labcom.ubi.pt/livroslabcom/pdfs/barbosa_suzana_jornalismo_digital_terceira_geracao.pdf.

A pensar,

LM

2 de jun. de 2008

Atualizando conceitos

(...) existe uma necessidade de atualizar o conceito de narrativa. Ao descrever fatos e ações a narrativa serve para informar, educar e entreter aos ouvintes, leitores e telespectadores. Nos
manuais de literatura, a narrativa aparece definida como:

1) exposição detalhada de uma seqüência de fatos
2) representação artística de um evento ou história

Em qualquer destes conceitos, formulados para definir a narrativa em outros meios como a voz, o livro, o jornal, o rádio, o cinema ou a televisão, produtos elaborados para interagir com ouvintes, leitores ou telespectadores, fica patente a dificuldade de incorporar as ações performadas pelo que Manovich classifica como atores essenciais na narrativa no ciberespaço: os tele-atores.

MACHADO, Elias. A Base de Dados como espaço de composição multimídia. In: Jornalismo Digital de Terceira Geração, Portugal, 2007. Disponível em: http://www.labcom.ubi.pt/livroslabcom/pdfs/barbosa_suzana_jornalismo_digital_terceira_geracao.pdf.

A pensar

LM

29 de abr. de 2008

Estilo tipográfico, por Robert Bringhurst

"O estilo literário é o poder de mover-se livremente pelo comprimento e pela largura do pensamento lingüístico sem deslizar para a banalidade. Estilo tipográfico, neste sentido amplo da palavra, não significa nenhum estilo em particular, 'meu estilo', 'seu estilo', 'neoclássico' ou 'barroco', mas o poder de mover-se livremente por todo o domínio da tipografia e de agir a cada passo de maneira graciosa e vital, sem ser banal"

Bringhurst, Robert. Elementos do estilo tipográfico - versão 3.0. São Paulo: Coisac & Naif, 2004.


LM

Narrativa, segundo Paul Ricoeur

"Uma história descreve uma sequência de ações e de experiências feitas por um certo número de personagens, quer reais, quer imaginários. Esses personagens são representados em situações que mudam ou a cuja mudança reagem. Por sua vez, essas mudanças revelam aspectos da situação e das personagens e engendram uma nova prova (predicament), que apela para o pensamento, para a ação ou para ambos. A resposta a essa prova conduz a história à sua conclusão."

Ricoeur, Paul. Tempo e Narrativa. Trad. Constança M. Cesar. Campinas: Papirus, 1994. Tomo I, p. 214

Design, segundo o Houaiss

substantivo masculino
Rubrica: desenho industrial.
1 . a concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), esp. no que se refere à sua forma física e funcionalidade
2 . Derivação: por metonímia.
o produto desta concepção
3 . Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
m.q. desenho industrial
4 . Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho-de-produto
5 . Derivação: por extensão de sentido.
m.q. programação visual
6. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho ('forma do ponto de vista estético e utilitário' e 'representação de objetos executada para fins científicos, técnicos, industriais, ornamentais')
Locuções
d. gráfico
Rubrica: desenho industrial, artes gráficas.
conjunto de técnicas e de concepções estéticas aplicadas à representação visual de uma idéia ou mensagem, criação de logotipos, ícones, sistemas de identidade visual, vinhetas para televisão, projeto gráfico de publicações impressas etc.
Etimologia
ing. design (1588) 'intenção, propósito, arranjo de elementos ou detalhes num dado padrão artístico', do lat. designáre 'marcar, indicar', através do fr. désigner 'designar, desenhar'; ver sign-

LM

Narrativa, segundo o Houaiss

substantivo feminino
ação, processo ou efeito de narrar; narração
1. exposição de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados, reais ou imaginários, por meio de palavras ou de imagens
2 . conto, história, caso
3 . o modo de narrar
4 . Rubrica: literatura.
prosa literária (conto, novela, romance etc.), caracterizada pela presença de personagens inseridos em situações imaginárias; ficção
5 . Rubrica: literatura.
o conjunto das obras de determinado autor ou de uma determinada época, de um país etc.; ficção
Ex.:

LM

28 de abr. de 2008

Concepções flusserianas

Flusser nos instiga a rejeitar uma separação dicotômica entre representação e referente , entre signo e coisa em si, entre teoria e prática das estruturas da linguagem. Fabricar e informar são aspectos de um mesmo programa, são manifestações da ação humana única de tentar impor sentido ao mundo por meio de códigos e técnicas.

A experiência do mundo passa a ser regida por outros códigos e convenções, por linguagens e projetos capazes de reformular a percepção, muito mais que a paisagem.

Todo projeto é ao mesmo tempo solução e obstáculo, a única certeza é de um aumento da complexidade em escala geométrica.

Flusser, V. Mundo Codificado. São Paulo: CosaicNaif, 2007, p.14, 16.

A pensar,

LM