14 de dez. de 2008

"Jamais fomos modernos"


Movie Map, primeiro experimento da tecnologia de videodisco, realizado em 1978 pelo Architecture Machine Group, dirigido por Nicholas Negroponte, do MIT, se parece com os botões das telas de vídeo de alguns dos mais importantes portais e sites jornalísticos do Brasil e do mundo. A diferença é que o pesquisador pausa, volta a assistir, adianta ou retoma o conteúdo tocando a tela com o dedo indicador. Na web, usa-se o mouse. http://www.naimark.net/projects/aspen/aspen_v1.html


A pensar,

LM

*O título desta nota foi emprestado do livro do filósofo francês Bruno Latour.

13 de dez. de 2008

Em defesa do Flash

Em seu blog-aula, Mindy McAdams pega carona nas dicas de melhor produção multimídia - que circularam em vários posts na última semana - para defender o uso do flash na produção diária de notícias. Tal como são planejadas as peças de composição do jornal como infográfico, quadros e mapas, por exemplo, a pesquisadora americana argumenta que o uso de material visual interativo é uma das particularidades do ciberespaço e deveria ser uma constante e não um trabalho esporádico, complexo, que geralmente leva horas para ser concluído.

McAdams critica a remediação aplicada a diversos pacotes em flash, que restringem-se a reunir vídeo, áudio e gráficos característicos da mídia analógica, como os exemplos abaixo:

Silent Shame — Wisconsin State Journal
The Girl in the Window — St. Petersburg (Fla.) Times
Touching Evil — Pittsburgh (Pa.) Post-Gazette

Trata-se de interfaces estáticas, empacotadas com flash. A professora de jornalismo digital ensina, porém, que é possível criar peças interessantes, dinâmicas e interativas com o programa da Adobe. Sobretudo, a partir de bases de dados complexas, e o NY Times é um dos grandes jornais a apostar nesse tipo de conteúdo.

Can a President Tame the Business Cycle?
Exit Polls - Election Results 2008
The Ebb and Flow of Movies: Box Office Receipts 1986 — 2008

Anothers:
Architectural Monuments in a Reshaped Beijing (New York Times)
How Much Is $700 Billion? (USA Today)
University of Texas Supercomputer (Austin American-Statesman)

Peegunta McAdams: "What criteria should you use?

The first priority is to look at either long shelf life or immediate impact (likely high traffic) — and weigh it against time needed to produce the project. I heard a lot of examples of this kind of thinking from two Chicago Tribune designers last summer. If your Flash producer is doing Flash work day in and day out, she can reasonably estimate how long the work will take. She can even offer options — this much will take three hours, but if you want to also add x, then that will take a day and a half.

Another consideration is coordination with print and other products. If graphics are being produced for print or television, then why isn’t that production optimized for the Web site? Does your Web site lack graphics, maps, etc., because your emphasis for graphics is on the daily print product? It’s past time to refocus and make sure that ALL graphics are Web-ready and Web-optimized.

None of this will be worth anything if you fail to play up the Flash work on the Web site. A lot of newsrooms say no one looks at their graphics, games, interactives, or Flash packages. They say the traffic numbers are low. This might be because the projects were displayed on the home page of the site for, say, two hours — and then buried forever where no one would ever see them. How do you think visitors to your site find stuff? Would you like to get 1 million pageviews for a Flash package in two months? It’s possible — but you have to promo it, play it up, and not bury it.

Keep in mind that Flash is not used only for big honkin’ packages that take months to produce. As I noted yesterday, Flash is ideal for animated data visualizations, interactive maps and diagrams, and other one-off information graphics — many of which can be produced in several hours (if your Flash person’s skills are not rusty).

If you focus on producing Flash graphics that will have relevance to your market, your audience — local, important, high-profile or need-to-know — you could be driving more traffic to your Web site. My favorite example remains the Dallas stadium graphic from two years ago — 42,000 hits in 24 hours. Why? Because it gave Dallas Cowboys fans a first look at plans for a new stadium, with lots of details in a compact, easy-to-use visual package."

Íntegra

A pensar,

LM

12 de dez. de 2008

Vem aí o Zoetrope

Um dos grandes nós da pesquisa em base de dados digitais é o arquivo, impossível de ser constituído a partir de páginas dinâmicas, como as capas dos portais noticiosos. A lógica de atualização dos destaques segue o tempo presente. Uma das soluções é o internet archive, mas não resolve detalhes.

A Adobe promete mudar esse formato de busca com o projeto Zoetrope, um sistema que permite interagir com páginas temporárias da web e fazer relações de comparação e complementação.
O vídeo abaixo dispensa traduções. Se esse navegador funcionar, o google terá de repensar a busca baseada somente em links.



A dica do Zoetrope é de Giselle Beiguelman

A pensar,

LM

11 de dez. de 2008

Além das árvores mortas

Em uma palestra à rádio australiana ABC, em novembro passado, Rupert Murdoch, dono da News Corporation, um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, saiu em defesa da informação e não do suporte. Para Murdoch, não importa que dispositivo seja usado, mas a qualidade do conteúdo oferecido ao leitor, que para o empresário, quer uma fonte na qual possa confiar. "Nosso negócio não é imprimir sobre árvores mortas, mas oferecer jornalismo de qualidade".

Da íntegra do texto publicada pela Folha de S.Paulo, há pontos importantes destacados (a seguir) que dão conta de apontar caminhos possíveis ao jornalismo para "além das árvores".

"Antigamente um punhado de editores podia decidir o que era notícia e o que não era. Eles agiam como uma espécie de semideuses. Se eles publicassem uma história, ela virava notícia.Se ignorassem o fato, era como se nunca tivesse acontecido. Hoje os editores estão perdendo esse poder. A internet dá acesso a milhares de novas fontes que cobrem coisas que um editor poderia deixar passar. Se você não se satisfaz com isso, pode começar seu próprio blog, cobrindo e comentando as notícias você mesmo."

(...)

"Um estudo americano recente constatou que muitos editores e repórteres simplesmente não confiam que seus leitores tomem boas decisões. É uma maneira educada de dizer que esses editores e repórteres acham os leitores estúpidos demais para pensar com suas próprias cabeças.

Ao enxergar seu público como garantido e permitir que eles mesmos se tornem tão institucionalizados quanto qualquer governo ou empresa sobre a qual escrevem, esses jornalistas estão pondo em risco seus próprios jornais. É simplesmente extraordinário que tantos que têm o privilégio de sentar na primeira fileira e escrever o primeiro relato da história possam ser tão imunes a seu significado evidente -sem falar nas conseqüências disso para sua própria indústria."

(...)

"A tendência digital definidora no conteúdo é a crescente sofisticação das buscas. Já é possível customizar o fluxo de notícias por país, empresa ou assunto. Dentro de uma década, as coisas serão ainda mais sofisticadas. Você poderá satisfazer seus interesses singulares e buscar conteúdos singulares.

Afinal, uma estudante universitária da Malásia não terá os mesmos interesses que um executivo de 60 anos de Manhattan. Pensando em algo mais próximo, seu filho adolescente não terá os mesmos interesses que sua mãe. O desafio consiste em usar a marca de um jornal e, ao mesmo tempo, permitir que os leitores personalizem o noticiário, eles próprios -e lhes enviar as notícias das maneiras que eles quiserem.

É isso o que estamos procurando fazer agora com o "Wall Street Journal". O jornal tem a vantagem de ter uma base de leitores muito fiel, de ser uma marca conhecida por sua qualidade e contar com editores que levam a sério os leitores e seus interesses.

Isso ajuda a explicar porque o jornal continua a desafiar as tendências da indústria. Dos dez maiores jornais nos Estados Unidos, o "WSJ" é o único a ter tido um aumento de assinaturas pagas no ano passado.

Ao mesmo tempo, pretendemos deixar nossa marca impressa na fronteira digital. O "WSJ" já é o único jornal americano a ganhar dinheiro de fato on-line. Uma razão disso é a demanda global crescente por notícias econômicas e por notícias precisas. A integridade não é apenas uma característica de nossa empresa, é um elemento de vendas.

Uma maneira pela qual planejamos aproveitar as oportunidades on-line é oferecendo três níveis de conteúdo. O primeiro será formado pelas notícias que colocamos on-line gratuitamente. O segundo será disponível aos leitores que assinam o wsj.com. E o terceiro será um serviço premium, criado para dotar os clientes da capacidade de customizar notícias e análises financeiras de primeira linha de todo o mundo.

Em tudo o que fazemos, vamos transmiti-lo das maneiras que mais correspondem às preferências dos leitores: em sites que eles podem acessar em casa ou no trabalho em invenções ainda em evolução, como o Kindle da Amazon (artefato para leitura wireless), e também em celulares e blackberries. No fim, ficamos onde começamos: o vínculo de confiança entre os leitores e seu jornal."

Íntegra (assinantes)

meu comentário: a análise de Murdoch faz todo sentido se pensarmos espeficamente que os jornais de papel não irão desaparecer, mas terão suas funções reconfiguradas. Quando afirma que a distribuição da informação se dará por meio de diversos dispositivos (inclusive os que serão criados daqui a algum tempo) e o leitor não é estúpido como imaginam alguns editores, o publisher mostra que está no caminho certo.

Sobretudo se ampliarmos a idéia de que o jornalista se institucionaliza ao impor conteúdo que "acha" ser interessante para o design informacional, como usar a ergonomia para provar que o "clique aqui" funciona em vez de planejar uma navegação intuitiva que não trate o leitor como estúpido.

Sobre as estratégias de oferta de conteúdo do "WSJ", o UOL já oferece esses níveis há bastante tempo (conteúdo grátis + premium). A customização que ainda é um nó, e será resolvida em breve.

A pensar,

LM

Best of Flash journalism

Dica do DeVigal no Facebook sobre onde encontrar o melhor da multimídia em flash. Bom para compartilhar. Enjoy it.

Interactive Narratives
Portfolio.com
Swarm Interactive
The New York Times
Berkeley Graduate School of Journalism
ELPAÍS.com
NPPA Multimedia Contest Winners
Favourite Website Awards

LM

10 de dez. de 2008

Not ye olde banners


reprodução

Artigo da Economist mostra que, em 2009, a publicidade on-line vai crescer 8.9% em meio à recessão, embora não o quanto fora previsto em agosto pela eMarketer: 14,5%. A previsão da empresa é que os anúncios baseados na busca alcancem 14.9%, os rich media, 7,5%, e os exibidos nas páginas, como banners, atinjam 6,6%.

reprodução

Íntegra. A dica é de Ricardo Anderáos

LM

cloud - database - sharing



Atenção à lição de Kevin Kelly, um dos fundadores da Wired, sobre a web: "Have to get better in believing the impossible". A frase encerra a palestra no Web 2.0 Summit, realizado na Califórnia, em novembro passado.

A dica é de Marion Strecker , e veio em boa hora.

A pensar,

LM

Quase lá

Dois exemplos pinçados da Folha Online sobre uso inteligente de ícones para ilustrar hipermídia que valem a pena ser utilizados. Ganha o usuário, pois usa o crivo de leitura do mundo real no ciberespaço. Ganhamos também, pesquisadores, por verificar que estamos no caminho do trabalho aplicado ao mercado jornalístico. Obviamente porque fazer parte desse share faz toda a diferença ao levar discussões desse tipo para a academia.

Mas há um porém (como em quase tudo): a idéia de crivo pode ser aplicada também a edições de imagens randômicas, como essa ainda na Folha Online, e o design informacional resolve isso. Muito bem. Vale a pena experimentar.


E também eliminar redundâncias: ícone + vídeo + veja. Um botão play poderia resolver essa questão. Ou não? De novo, é a vez do design informacional pensar em uma saída razoável.

A pensar,

LM

9 de dez. de 2008

Seleção multimídia

Para a conferência a jornalistas da Globo e do G1, realizadas no início deste mês, o pesquisador Ramón Salaverría selecionou o que considera a melhor produção jornalística multimídia do ciberespaço. Salaverría avisa que trata-se de uma escolha pessoal e, portanto, estão autorizadas críticas - desde que fundamentadas (meu plus).

Infográficos interactivos de 1ª generación
Huelga en Francia, elmundo.es (2000)
La lesión de Ronaldo, elmundo.es (2000)

Infográficos lineales
Small plane hits building in Manhattan, NYTimes.com (2006)

Infográficos 3D
Unraveling the Mysteries of King Tutankhamun, National Geographic (2005)

Infográficos de bases de datos
Election 2005 in UK, BBC.co.uk (2005)
Sector Snapshot, NYTimes.com (2007)
Election Results 2008 - President Map, NYTimes.com (2008)

'Audio slideshows'
The darkest day, MSNBC.com (2001)
Piqueteros: la cara oculta del fenómeno, Clarín.com (2002)
Tras el rastro paramilitar en el Valle, Elpaís.com.co (2008)

Foto-ensayos
Brazil's ethanol, Sun-Sentinel.com (2007)
The Soldier's Wife, ArkansasOnline.com (2007)

Tour virtual 360º
Rising from ruin, MSNBC.com (2005)
Photosynth, Microsoft Live Labs (2006)
Rede Gazeta 360º, Rede Gazeta / Foto360.com.br (2008)

Reportaje web
The hidden World, GEO Magazine (2008)
Going to the end of line, NYTimes.com (2008)

Video-reportajes
Perdiendo Afganistán, ADN.es (2008)
Mixed martial arts, Sun-Sentinel.com (2008)

Foto-vídeo ensayos
It's not easy, SergioCaro.com (2008)

Vídeo interactivo
Elecciones 2008 - Primer cara a cara Zapatero Rajoy, RTVE.es (2008)
Obama: Victory Speech, NYTimes.com (2008)
Los secretos de los otros cementerios de Madrid, elmundo.es (2008)

i-HD (vídeo de alta definición vía web)
Los próximos estrenos, en i-HD, ElPaís.com (2008)

Dossier documental
Especial resumen del año 2005, ElPaís.com (2005)
Black America, CNN.com (2008)

'Multimedia packages'
The Ancient Way, University of North Carolina (2005)
The South Asia Tsunami: One Year Later, Associated Press (2005)
Bearing witness: five years of the Iraq war, Reuters (2008)

Multimedia inmersivo
Qué se puede hacer con 25 m2, elmundo.es (2005)
Is it better to buy or rent?, NYTimes.com (2007)
Young lives at risk: our overweight children, WashingtonPost.com (2008)
Battle of the bags: paper vs. plastic, MSNBC.com (2008)

by GJOL

A pensar,

LM

Mouse, 40 anos

Boa hora para discutir a edição (ou melhor, as chamadas) relacionadas à tecnologia que completa 40 anos nesta terça-feira, 9. Tudo bem que a interface multi-touch ou o voip não tornarão o mouse redundante, como afirma Rob Skitmore, do London Science Museum, mas é preciso mudar a visão de composição das páginas baseada exclusivamente em dispositivos. Usar o que ensinou a teoria do jornalismo ainda faz muito sentido.

Uma das primeiras ações é deletar o "click to play" das chamadas de vídeo. Senão, a cada vez que surge um novo modo de relação com a máquina, haverá perólas do tipo: "toque aqui", "fale agora" ou "passe o mouse para visualizar". Mais do que ser redundante, trata-se de um erro editorial. Mais uma vez a idéia do controle remoto toma fôlego nesse contexto. Basta pensar nas teclas do controle remoto para concluir que se o uso dos botões é intuitivo porque não o deveria ser o dos botões na web?


Parafraseando Claudia Gianetti (2006, p. 57), o caminho (ou um dos caminhos) "é encontrar modelos de conhecimento e de juízo estético que possam ser aplicados a todas as artes". Plus (meu): aplicar esses modelos à edição on-line, precária e excessivamente redundante.

Trata-se de remixar as teorias da percepção e da informação, "pois o processo fisiológico e cognitivo começa nos órgãos sensoriais, nos quais se produz a primeira etapa do processamento de informação".

O que está em jogo é diferenciar a recepção da informação recebida e da assimilada pela consciência, uma vez que os dados são selecionados e codificados em múltiplas formas. Isso significa que o entendimento está sujeito a processos fisiológicos específicos, que o determinam (GIANETTI: 2006, p. 54)

Uma sobrecarga de informação pode provocar irritação, assim como um nível muito baixo produz sensação de monotonia (...). Sendo, a informação transmitida (...) deve manter um equilíbrio quantitativo e, por outro lado, gerar tipos de informação pouco redundantes (princípio da exceção ou inovação); quando se alcança esse nível, se produz ao espectador a sensação agradável de ter captado algo novo, algo criativo (Ibidem).

A pensar,

LM