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23 de mai. de 2008

JOL em base de dados


Em O jornalismo digital em base de Dados (Florianópolis: Calandra, 2006), Elias Machado, lança mão - com bastante propriedade - de um dos princípios de Lev Manovich (The Language of New Media, 2001) para identificar a nova mídia: a transcodificação - todos os objetos das novas mídias podem ser traduzidos para outros formatos (p.15) - para defender a hipótese de que no jornalismo digital a base de dados, como uma forma cultural típica das sociedades em redes, assume ao menos três funções:

1) de formato para a estruturação da informação
2) de suporte de modelos de narrativa multimídia
3) de memória de conteúdos públicados


Se levarmos em conta que para Manovich a narrativa na web só tem sentido se houver ação, o destaque acima da morte do senador Jefferson Peres destacado na Folha Online poderia levar o usuário a navegar em uma base de dados menos abrangente e mais detalhada sobre Peres. Leia o que já foi publicado sobre... pode significar dezenas de informações, perdidas na rede que, em tese, servem para nada.

A pensar,

LM

12 de abr. de 2008

Interface e superfície

O que a famosa série de quadros de Magritte "Isto não é um cachimbo" faz refletir:

"Impasse recorrente da criação on line, a confusão conceitual em torno da noção de interface e superfície atravessa inúmeras instâncias institucionais e mercadológicas e mostra que não se conseguiu incorporar ainda a lição dada por Magritte em sua famosa série de quadros de cachimbos, produzidos entre 1928 e 1956.

Um dos traços mais desconcertantes desses quadros é sua incrível simplicidade 'Ceci n'est pas un pipe' (Isto não é um cachimbo): isto é uma representação de um cachimbo, anuncia-se em todos.

As imagens traem, pontificia-se no título que transforma a série em conjunto e anima a fricção e a pulsação das distâncias entre representação e ausência, palavra e figura, pintura e escritura, palavras e coisas.

Trata-se da história de um caligrama desfeito, escreveu Foucault, uma tautologia às avessas em que a distância entre o texto e a imagem era intencionalmente imposta em um jogo de negações, que confrontava a redundância do mero transporte de sentidos, pondo em evidência a fragilidade do olhar do voyeur_superficial_em relação ao do leitor_pluridimensional". (Beiguelman, G. O livro depois do livro, p. 19).

LM

8 de abr. de 2008

E o design?


Nora Paul, uma das mais importantes pensadoras sobre mídia digital, afirma que a narrativa on-line é composta por cinco elementos:

1) Media usage
2) Action built into the content or required by users
3) Relationship potential between story and user
4) Context provided by other materials
5) Communication potential
Se perdermos de vista a narrativa e nos ater ao design, podemos planejar a construção da página noticiosa a partir desses cinco elementos.
A pensar...
LM

As palavras de ordem

Para pensar sobre a linguagem (textual e visual) na criação de páginas ou capas na web:

"A professora não se questiona quando interroga um aluno, assim como não se questiona quando ensina uma regra de gramática ou de cálculo. Ela 'ensigna', dá ordens, comanda. Os mandamentos do professor não são exteriores nem se acrescentam ao que ele nos ensina. Não provêm de significações primeiras, não são a conseqüência de informações: a ordem se apóia sempre, e desde o início, em ordens, por isso é redundância.

A máquina do ensino obrigatório não comunica informações, mas impõe à criança coordenadas semióticas com todas as bases duais da gramática (masculino-feminino, singular-plural, substantivo-verbo, sujeito do enunciado-sujeito de enunciação etc). A unidade elementar da linguagem — o enunciado — é a palavra de ordem.

Mais do que o senso comum, faculdade que centralizaria as informações, é preciso definir uma faculdade abominável que consiste em emitir, receber e transmitir as palavras de ordem. A linguagem não é mesmo feita para que se acredite nela, mas para obedecer e fazer obedecer.

A baronesa não tem a mínima intenção de me convencer de sua boa fé, ela me indica simplesmente aquilo que prefere me ver fingir admitir" (Deleuze e Guattari, Mil Platôs, vol. 2, p. 7-8)

LM

Viva a redundância!

Além do guia numérico, temos duas menções a vídeos no destaque desse módulo na capa do iG: o chapéu Vídeo e a chamada mais vídeos, que nos leva à lista no megaplayer. Ah, ia quase esquecendo do botão player, estampado no meio da imagem. Chega, né?
LM

6 de abr. de 2008

Atropelaram a gramática



Nem tudo é problema de design ou de formato de narrativa. São comuns na rede tropeços na língua portuguesa, como esses pinçados da página do Estadão, de 21/3. Alguém bobeou na edição da home do canal Suplementos.

Em vez de azeite, aziete; vírgula errada depois de azeite; chamada com foto: procura-se pessoas (ai!), e mais: indentidade, fuinciona, aborada e estreiou....

LM