4 de jul. de 2010
A Folha Errou; Alegria No Twitter
26 de jun. de 2009
"Pelo amor de Deus, conta uma novidade" 2
De novo: "todo mundo já sabia"! Repito o título da coluna do Carlos Eduardo Lins da Silva na Folha de S.Paulo de 7 de junho passado para reiterar o incômodo das manchetes dos jornais de papel sobre a morte de Michael Jackson, anunciada à exaustão desde o fim da tarde de quinta, 25, na rede.
Twitteiros, apostamos que os títulos seriam algo como "Michael Jackson morre aos 50", e não deu outra.
Vale a pena dar uma olhadela no mapa interativo no Newseum, com as capas dos principais jornais do mundo, e compará-las às homes dos digitais. Dá um bom estudo sobre o papel do jornal em uma cultura cada vez mais pautada pela informação distribuída em redes sociais, a exemplo do Twitter, que chegou a ficar "over capacity", mas aponta para um novo processo de produção: a transmissão participativa.
A notícia saiu em primeira mão no site de celebridades TMZ. Foi replicada no Brasil (com devidos créditos, of course) por UOL, iG e Terra. Estadão e G1 recuaram. No exterior, CNN, NY Times, Washington Post e Guardian também optaram por não citar o TMZ. Somente após a informação ser confirmada pelo Los Angeles Times é que os jornalões foram atrás e cravaram em suas homepages a morte de Jackson.
Isso mostra duas implicações, pelo menos:
1) ainda há muita reticência sobre informação divulgada na internet, a credibilidade é um ponto nervoso.
2) o que sobra para os jornais de papel se o factual está no ar antes de as rotativas começarem a imprimir?
A pensar
LM
7 de jun. de 2009
"Pelo amor de Deus, conta uma novidade"
reprodução Folha de S.PauloÉ verdade, "todo mundo já sabia". Sensacional o título da coluna do ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva na Folha de S.Paulo deste domingo. O texto aborda um assunto pra lá de incômodo: a validade das manchetes dos jornais de papel em casos como o da cobertura do acidente com o avião da Air France (voo 447). Semana passada, este blog comparou as coberturas e concluiu que a web dá a manchete aos jornais.
O que chamou atenção desta jornalista foi o fato de os leitores reclamarem da manchete. Em fevereiro de 2008, apontei fiz a mesma queixa sobre a cobertura da renúncia de Fidel Castro em um curso a jornalistas de um grande portal paulistano. A Folha amanheceu com o título: "Fidel renuncia após 49 anos".
Tratava-se da mesma manchete que estampava os portais desde a madrugada de terça, 19, um dia antes de o jornal ir às bancas. A resposta que recebi de um colega que passou pela redação da Barão de Limeira foi surpreendente: "há uma pesquisa interna que mostra que os leitores querem esse tipo de manchete". Obviamente, não me conformei, mas tentei compreender, e a pulga ficou atrás da orelha até hoje.
Ainda bem que os leitores mudaram, e a prova é o que escreveu Carlos Eduardo: "Vários outros leitores manifestaram frustração com a decisão editorial de tornar o jornal caudatário das informações divulgadas pela TV, pelo rádio e pela internet no dia anterior, na terça e na quarta-feira. Estou com eles."
Ricardo Noblat já havia cantado essa bola em 2005, em entrevista à Playboy, ao afirmar o seguinte: As pessoas estão se informando de outro jeito. Você abre amanhã a Folha de S.Paulo e está lá a manchete: 'Empresário diz que pagou mensalinho a Severino' [A manchete da Folha no dia seguinte à entrevista de fato foi "Empresário confirma propina e agrava situação de Severino"]. Pelo amor de Deus, me conta uma novidade, isso o país inteiro já sabe.
Para quem não leu a coluna do Carlos Eduardo, faço questão de reproduzir aqui:
(assinantes)
Leitores manifestam frustração com a decisão de tornar o jornal caudatário das informações já divulgadas na TV e na internet
"A MANCHETE seria boa em 1921 [ano de fundação da Folha] quando não havia TV e internet. Hoje, parece mais um jornal de ontem. Todo mundo já sabia." Foi o que o leitor José Antonio Pessoa de Mello Oliveira escreveu ao ombudsman na terça sobre a capa do dia, quase toda dedicada ao acidente com o Airbus da Air France.
Mello Oliveira concluiu: "O autor da manchete precisa ter em mente que não é possível recriar o impacto de uma notícia já divulgada. A manchete deve explorar um desdobramento da informação inicial. É um ônus que o jornal de papel tem que aceitar".
No mesmo dia, a leitora Patrícia Sperandio perguntava "como é possível um jornal amanhecer nas bancas com uma manchete tão envelhecida?" e especulava: "A manchete principal da Folha de hoje explica por que o jornal impresso está, cada vez mais, perdendo espaço para outras mídias".
Diogo Ruic aconselhou: "Sugiro que manchetes, principalmente da capa, tragam algo novo para quem busca informação. O jornal não precisa tratar tudo como velho, mas há de se ponderar o que realmente é novidade. Ou alguém duvida que 99% dos assinantes do jornal já sabiam da queda do avião?"
Vários outros leitores manifestaram frustração com a decisão editorial de tornar o jornal caudatário das informações divulgadas pela TV, pelo rádio e pela internet no dia anterior, na terça e na quarta-feira. Estou com eles.
O que deveria ter sido feito? Admito que é difícil. Mas é preciso ter a coragem de errar para mudar e para dar a entender ao público que se está disposto a mudar. Qualquer coisa que sinalizasse ao leitor que este jornal respeita sua inteligência e não vai repetir o que ele já sabe seria melhor.
Outro aspecto da cobertura da tragédia que mobilizou leitores foi o noticiário em torno das vítimas, especialmente a utilização de fotos de algumas delas que foram retiradas de suas páginas em redes de relacionamento da internet.
Pessoalmente, sempre me incomodou muito o assédio de jornalistas a parentes de vítimas de acidentes. Mas é inegável ser dever do jornalismo registrar a história de vítimas de acidentes que se tornam públicos e que se isso for feito de maneira respeitosa pode servir de homenagem a elas e de preservação de sua memória. E quando alguém coloca suas fotografias no Orkut e em similares, sabe que elas estão ao acesso de qualquer pessoa.
meu comentário: obrigada, Carlos Eduardo.
A pensar,
LM